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Pequenas alegrias: Miss Marple e Poirot

Segunda-feira, 12.04.10

 

Agora que a série Life on Mars terminou, que Flashforward está a perder pedalada e Boston Legal regressou a uma temporada anterior, fiquei reduzida à Lie to Me.

É verdade, Life on Mars foi projectado no futuro e em Marte, precisamente. Pode ter sido mais um sonho do protagonista, mas soou muito bem como final da série, ou como introdução de uma sequência. O parzinho também se resolveu, finalmente. 

Flashfoward, após uma 1ª temporada cheia de ritmo e suspense, começou nesta 2ª a perder pedalada. Seguir cada uma das personagens, em vez do mosaico das diversas personagens, do puzzle confuso que nos desafiava constantemente a preencher, é um duche de água fria.

E, finalmente, em Boston Legal, voltou-se a uma temporada anterior, em que o Denny Crane ainda é levado a sério e o Alan Shore ainda tem cara de bébé.

Assim, ficou apenas a Lie to Me, à 4ª feira. Aliás, uma série muito útil, como já disse aqui.

 

Foi, pois, com uma alegria infantil, que descobri as séries Miss Marple e Poirot da Agatha Christie, na RTP Memória, às 3ªs e 5ªs feiras respectivamente. A minha vida social vai-se ressentir.

 

São estas pequenas alegrias que me animam os dias. Mas a grande alegria, essa, tive-a este fim-de-semana, uma grata surpresa!

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 13:06

Pequenas alegrias: rever o "Picnic"

Domingo, 07.03.10

 

Hoje, no canal Hollywood. Difícil explicar como este filme me hipnotiza. Não é o único, mas tem sempre este efeito.

A peça, os diálogos, as personagens, são parte da explicação. Os actores também. A realização, a atmosfera, as cenas, os planos, o ritmo. O cenário, a época. A atmosfera de todo o filme.

 

Ao rever Picnic, talvez pela quarta vez, lembrei-me que tenho de actualizar o meu perfil, na parte dos filmes preferidos. E já agora, os livros também. Esta lista de autores acompanhou uma parte do meu percurso e por isso lhes estou grata. E à vida também. Como poderia ter sobrevivido estes anos todos se não fossem os meus autores? Impossível. Mas descubro, com alguma perplexidade, que qualquer coisa de fundamental se está a revelar através das alterações na minha lista de filmes preferidos.

 

Picnic faz parte dessa lista de filmes, e eu nem tinha reparado. É sempre a mesma magia. Aqueles subúrbios nos anos 50, uma cidadezinha a crescer, com rituais culturais de cidade do interior, de uma vida muito comunitária. De estratos sociais muito definidos. De ambições legítimas de um lugar ao sol. De oportunidades que se têm uma vez na vida. De inícios de percursos até aí apenas acessíveis a alguns.

 

Estereotipos sociais de que é difícil escapar: o atleta que podia ter sido alguém se não tivesse reprovado no 3º ano da faculdade; o filho de pai rico e a aprendizagem da gestão da empresa; o pai rico e competitivo, respeitado na cidade; o homem solteirão habituado ao seu espaço e aos seus hábitos; a rapariga bonita e encantadora, que quer amar e ser amada; a rapariga inteligente, a intelectual; a mãe, que apenas quer o melhor para as suas filhas, mas segundo a sua própria perspectiva; a mulher tranquila e realista que serve de suporte afectivo àquela mulher que o homem abandonou, e às suas filhas; a professora independente, que percebe subitamente que a arrogância a distanciou das suas verdadeiras necessidades.

 

Como escapar ao estereotipo social numa pequena comunidade?

A rapariga bonita consegue. Depois de ajudar o homem, a quem consideram falhado, a ver-se a si próprio pelo seu olhar carinhoso e generoso: tens óptimas qualidades. É dessa amabilidade que o homem precisa para acreditar em si próprio e recomeçar de um outro ponto de partida. Ele também lhe mostrara que ela era bem real, de carne e osso, e não uma miragem que serve de troféu.

A professora independente também consegue. Reconhece o seu erro nessa noite de loucura e de lucidez, e revela o seu receio essencial ao namorado solteirão que ainda tenta esquivar-se. Em vão. Na manhã seguinte já tem o destino traçado: casamento e lua-de-mel.

 

Nunca poderemos avaliar os efeitos nocivos e perversos dos estereotipos sociais. É certo que as pessoas têm esta terrível tendência de arrumar tudo em gavetas e prateleiras, mas tal nunca será possível com a complexa natureza humana. Nem benéfico.

E é bom saber que, mesmo tendo vivido com esse limite, é sempre possível alterar esse condicionamento, esse papel pré-definido, de um comportamento expectável.

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 16:13

Pequenas alegrias: revisitar os anos 70

Sábado, 20.02.10

 

Sendo um exemplar de uma adolescente na década de 70, gostei muito da irreverência de David Bowie, na personagem andrógina provocante e no som original. E gostei de ver que continuou a compor como se o filão nunca se esgotasse, sempre inovador. David Bowie fez da sedução o seu maior trunfo, mais parecia um marciano que tivesse acabado de aterrar no palco. E as fotografias das capas dos discos eram simplesmente fabulosas.

Hoje descobri, numas gravações antigas, uma canção que não conhecia e que fala do vento... let me fly away with you... my love is like the wind... we are like creatures of the wind... fala desse paralelismo do amor e do vento nas árvores... a voz imita o som do vento... a canção é lindíssima, não sei explicar melhor.

 

Revisitei também o som de John Lennon, já pós-Beatles. John Lennon tinha esse sentido artístico-filosófico-político, uma autêntica obsessão, fez do seu activismo uma forma de vida, uma constante performance, essa dimensão da revolta de um Power to the People ou essa utopia poética do Imagine.

É das personagens mais fascinantes dos anos 70, porque os acompanha de muito perto, é o seu rosto, com uma mensagem sempre irreverente. Também não lhes sobreviverá, a aventura que foi a sua vida termina precisamente no último ano da década. 

 

Os anos 70, já o disse aqui, foram de certo modo paradoxais, porque a par de uma sociedade ainda muito fechada e convencional, surgia outra camada, sobretudo juvenil e ligada à arte, muito irreverente e excessiva, muitos deles universitários e activistas, em que a liberdade era pura e simplesmente a ausência de limites.

Talvez por isso mesmo, por essa ausência de fronteiras, foi uma época tão fascinante. E, também por isso, decadente. Mas ainda assim, fascinante.

 

E talvez por isso mesmo vemos hoje um revivalismo nalgumas séries televisivas, como Life on Mars, e nalguns filmes também, como o The Darjeeling Limited.

 

Não deixa de ser irónico, porque também os anos 70 foram revivalistas dos anos 20 e 30, no design de roupa e no cinema. Talvez porque são épocas com traços comuns, como a rebeldia e a liberdade, nas ideias e nos comportamentos. Talvez porque nelas encontraram provavelmente paralelismos estéticos e culturais.

Exemplos de filmes (curiosamente em todos eles entra o Robert Redford): The Way We Were, The Sting e The Great Gatsby.

 

  

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 00:28

Pequenas alegrias: sinais de vida do cidadão comum

Quarta-feira, 10.02.10

 

Quando era miúda havia na televisão (a preto e branco e de um só canal) uma série que adorávamos: Os Vigilantes da Floresta. Um grupo de rapazes  e raparigas que protegia a floresta de incêndios, cortes ilegais, etc. Tinham sempre que fazer, como se calcula, porque a protecção de uma floresta exige prevenção. E os nossos heróis eram muito previdentes, estavam sempre atentos, e sobretudo, vigilantes. 

 

Hoje já não há séries assim. Quando espreito as séries que os miúdos vêem fico arrepiada. Muita tecnologia mas pouca inspiração para uma responsabilidade individual ou uma acção cívica, colectiva. Vejo violência, emoções básicas como o ódio, a vingança, a destruição pura e simples.

 

Mas voltando aos nossos vigilantes, é essa atitude que eu esperava há que tempos da sociedadade dita civil, a do cidadão comum! Um único sinal de vida! Porque uma sociedade dita civil que esteja sossegadinha, caladinha, indiferente, amorfa, é uma sociedade doente.

Tudo o que vale a pena exige atenção, cuidados, vigilância. Prevenção. Todos os dias. Refiro-me a coisas tão simples como a democracia, a liberdade, uma vida colectiva saudável, baseada na confiança. Confiança uns nos outros e confiança nos responsáveis de cada área de gestão do nosso colectivo.

 

O primeiro sinal de vida e iniciou-se na blogosfera! Foi essa a minha alegria, uma Primavera antecipada!

 

Se há uma onda de histeria? Não sei que fenómeno surge após uma apatia prolongada, não sei o que vem imediatamente a seguir ao desânimo... um entusiasmo febril?

 

Se há motivações mais egocêntricas? Cada um age segundo a sua própria consciência. Mas de uma coisa estou segura: muitos de nós sentir-se-ão reconfortados por saber que não estamos sozinhos no nosso cantinho, que afinal somos muitos a pensar o nosso colectivo, atentos ao que se passa. E agora mais do que atentos, vigilantes.

 

Se há oportunismo? E isso pega-se? Santo Deus!, o oportunismo pré-existe em todas as áreas da nossa vida colectiva. Faz parte. Uns criam, constroem, outros penduram-se e ficam com os louros. Existe em todo o lado. Hoje onde existe até mais oportunismo é no próprio estado, na sua cultura de raíz, intrínseca, que vê o cidadão apenas enquanto eleitor e contribuinte. Querem maior oportunismo do que esse, fazer negociatas com o trabalho do contribuinte? Sem dúvida que o monopólio do oportunismo pertence hoje ao estado.

 

Como os Vigilantes da Floresta, é assim que vejo esta iniciativa. Um primeiro sinal do cidadão comum a exigir os esclarecimentos que nos são devidos, uma informação verdadeira, correcta, adequada.

 

Um primeiro sinal de alarme também: o que falhou? O que está a falhar? A nível dos responsáveis pela gestão do poder.

Um primeiro sinal da necessidade urgente de uma reflexão colectiva profunda e abrangente, da decadência geral das áreas-chave da democracia.

 

Se o manifesto interpela directamente o PM? Bem, se é o responsável da gestão do nosso colectivo com mais poder actualmente (poder a mais, a meu ver, mas o sistema deu-lho e daria mais se não houvesse aquele pormenor tão português da violação do segredo de justiça)... é natural que seja ele o interpelado, não é?

 

Se é um ataque pessoal? Não o vejo assim. Para mim o que está hoje em causa é o próprio sistema democrático, a sua organização, e o próprio regime, que neste momento me parece incompatível com a democracia. Se queremos uma democracia com tudo o que implica, participação, vigilância, responsabilidade, este sistema e este regime como estão, não servem.

 

Assim sendo, estão todos envolvidos na reflexão. Terão de ser avaliados pelo seu desempenho: governo, partidos, áreas-chave como a Justiça, a Procuradoria-Geral da República, o Banco de Portugal, a ERC, a da concorrência dos mercados (terei de ir ver qual é a designação). É que parece que só o Tribunal de Contas está a funcionar de forma eficaz, além da máquina fiscal, claro!, afinal é de lá que vão retirar parte do money money para os seus excessos e desvarios...

 

O cidadão comum quer ser esclarecido, em primeiro lugar sobre o que realmente se passou a nível do condicionamento da informação a que tem direito. Certo?

Porque se o cidadão comum tivesse tido acesso, como era seu direito, à informação correcta sobre os números reais do défice, da dívida pública, do desemprego, da emigração, do estado real do país, e não à ficção generalizada nos jornais e nas televisões, talvez até os resultados das últimas eleições tivessem sido ligeiramente diferentes, não acham? É essa a dimensão da liberdade num país democrático: direito a uma informação fidedigna.

Se um dia destes se fizer a anatomia das últimas eleições legislativas, vai ser interessante perceber até que ponto todo o sistema esteve envolvido na mentira oficial. Todo o sistema.

 

 

Ah, já me ia esquecendo: Também se chamou a esta manifestação um folclore. Tudo bem. Aceito. Sempre será um folclore mais criativo do que o folclore transmontano (a perspicácia de Pacheco Pereira...), com que nos bombardearam diariamente estes 5 anos...  

 

As tentações partidocráticas: Espero que o cidadão comum se consiga distanciar de todas as tentações partidocráticas e não se deixe envolver pelas seduções de circunstância. É natural que os políticos sintam o ímpeto, o impulso (porque isso está-lhes na massa do sangue), de navegar na onda de um movimento da dita sociedade civil. Só nos faltava mais essa interferência, ainda por cima quando a avaliação e a reflexão que se exige, e que espero se inicie agora, envolve os próprios partidos, os da gestão do poder e os da oposição! Que escolham outros timings, que não façam coincidir as suas agendas políticas com iniciativas do cidadão comum, da dita sociedade civil. É o mínimo que se lhes pede.

 

  

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 13:18

Pequenas alegrias: Ringo Starr no Daily Show

Terça-feira, 02.02.10

 

Hoje passaram na Sic Notícias o Daily Show de 13 de Janeiro... e quem é que concluiu o programa?

O Ringo Starr, que parece ter descoberto o segredo da eterna juventude, acompanhado por Ben Harper & Relentless7, em duas canções: uma do novo álbum, Walk With You; e outra, a magnífica With a Little Help from my Friends.

Nem imaginam a minha emoção ao ver e ouvir o Ringo Starr neste som tão Beatles, que me traz de novo a alegria e a rebeldia primaveris!

 

Já agora, que nunca aqui os referi, os Beatles foram a melhor banda de sempre! Não apenas pelas suas composições a partir da altura em que se tornaram experimentais, mas pela sua vivência paralela, a sua busca filosófica, que estava em perfeita sintonia com uma atmosfera cultural irrepetível.

Os anos 60 foram anos excessivos e até decadentes, mas tiveram, a par desse lado sombrio, a frescura de todos os inícios, do olhar original.

Os Beatles também sentiram a decepção e reagiram a essa parte mais artificial e plastificada.

O que hoje me inspira ao ouvi-los é esse lado solar das suas composições, sobretudo da segunda fase, quando passam a gravar mais em vez de andar sempre em concertos. E vi os seus vídeos e os filmes sempre com o olhar inicial. Maravilhosos anos 60!

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 22:12








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